Vida longa ao Teatro Casa Grande

Por Pedro Ribeiro / Colunista

Um dos mais importantes teatros do Rio de Janeiro, o Teatro Casa Grande comemora em 2020, seus 54 anos. Inaugurado em 25 de agosto de 1966, foi batizado primeiramente como Café Teatro Casa Grande, numa sociedade formada por Max Haus, Moysés Ajhaenblat, Moysés Fuks e do jornalista Sérgio Cabral. Ao longo de sua história o espaço abrigou produções que marcaram época como: “Brasileiro, Profissão Esperança”, dentre tantos outros, também foi palco para grandes artistas como Nara Leão, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Milton Nascimento, Caetano e Gilberto Gil.

Três anos após sua inauguração o espaço foi rebatizado como Teatro Casa Grande, recebendo não só peças, mas também abrindo seu espaço para debates sobre a situação política do país e que fizeram com que os donos recebessem ameaças constantes de censura e fechamento por parte de pessoas ligadas ao regime. Mesmo assim, o teatro seguiu com sua missão e em 1984, durante o período de abertura, recebeu Tancredo Neves que lançou no palco do teatro a sua candidatura à presidência, batizando o local como o “Território livre da democracia no Brasil”, frase imortalizada no hall de entrada do teatro. No ano seguinte nesse mesmo palco pelas mãos do ministro da Justiça Fernando Lyra foi simbolicamente decretado o fim da censura no país. Durante a década seguinte, passaram por lá sucessos como “Loiro Alto Solteiro Procura” de Miguel Falabella e “Confissões de Adolescente” que firmaram para sempre o Casa Grande na história do Rio de Janeiro.

Essa história sofreu um duro golpe em 1997, quando o teatro foi atingido por um incêndio mas seguiu funcionando com uma estrutura provisória e em 2008, com a chegada do Shopping Leblon foi possível modernizar o teatro, incluindo o patrocínio de uma operadora de telefonia, que rebatizou o teatro, que na retomada contou com a versão brasileira do clássico “A Noviça Rebelde” assinada pela dupla de diretores Möeller e Botelho.

Agora, nesses novos tempos, o espaço estreia sua programação de peças online acompanhado de uma série de debates que reafirmam seu imenso valor na cultura carioca. No aniversário de 54 anos, não foi possível realizar uma celebração presencial, mas mantendo sua postura de vanguarda o teatro entrou em um novo universo das peças online com o “Sermão Da Quarta Feira de Cinzas” do padre Antônio Vieira e estrelado pelo ator Pedro Paulo Rangel. E, como há tantos anos, promove novos debates para discutir as múltiplas questões do nosso país, o Teatro Casa Grande resiste e se reinventa mantendo viva a chama de sua história em que a arte e a democracia sempre caminharam juntas na cultura de nossa cidade. Vida longa ao Teatro Casa Grande!

Imagem: Divulgação

* Pedro Ribeiro é estudante e possui curso de teatro musical com o diretor Charles Moeller.

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