O Prêmio Tony se adapta ao novo normal

Por Pedro Ribeiro / Colunista

“E o Tony vai para…” essa é a frase que todo produtor da Broadway sonha em ouvir na noite do prêmio Tony que pode ser sinônimo de sucesso financeiro e amplo prestígio de público e crítica. A premiação, tida como o Oscar do teatro, teve sua 1ª edição em 1947 e desde 1967, é transmitido para todo os Estados Unidos pela rede televisiva. Mas no ano de 2020, pela primeira vez, vai ocorrer de forma remota devido a pandemia. A cerimônia, que habitualmente ocorre em junho, agora está prevista para final de outubro. Sua viabilidade vinha sendo alvo de questionamentos devido a sua magnitude (ela normalmente ocorre em um teatro com capacidade para até 6000 pessoas) e se haveria condições de premiar os espetáculos que estrearam antes da crise e aqueles que nem conseguiram abrir suas portas.

O prêmio foi concebido pela American Theatre Wing que estabeleceu uma honraria para celebrar a excelência teatral que foi batizada com o nome Tony para homenagear Antoniette Perry, fundadora da organização. Desde o início, o evento se tornou um marco no calendário de Nova York com as primeiras edições ocorrendo em famosos salões de eventos de hotéis como o Astor e o Plaza. Em 1967, a rede de televisão CBS passou a transmitir a cerimônia diretamente do teatro Shubert, fazendo com que mais pessoas pudessem ter acesso à festa do teatro americano. Já em 1997, quando completou 50 anos, se estabeleceu no célebre Radio City Music Hall, onde ainda ocorre na maioria dos anos. Celebridades como Hugh Jackman e Neil Patrick Harris já apresentaram o especial que se consagrou como o momento de exaltação a todos aqueles que fazem com que a máquina teatral nunca pare de girar.

Ainda estão sendo debatidos os critérios para definir quais espetáculos estão aptos a concorrer aos prêmios de uma temporada bastante encurtada por essa crise, mas entre os favoritos a levarem estatuetas estão a biografia musical da cantora americana Tina Turner que tem a sua protagonista Adrienne Warren como uma forte concorrente na aguardada categoria de melhor atriz e a adaptação do filme Moulin Rouge para os palcos. Premiando desde o melhor figurino ao melhor ator, o Tony é aguardado com ansiedade por toda a classe teatral que ao receber as nomeações já decora as fachadas dos seus teatros com o número de indicações obtidas, comprovando o poder que essa celebração do teatro exerce na cultura e economia americana.

 Os grandes clássicos como O Fantasma da Ópera e Cats passaram pelo crivo do júri do Tony recebendo 7 troféus cada, incluindo aquele que é considerado o ápice para todas as produções: o de melhor musical. O fenômeno Hamilton de Lin Manuel Miranda que renova a narrativa dos fundadores da América recebeu um recorde de 16 indicações, ganhando 11. O musical O Rei Leão, além de receber expressivas 11 indicações, viu a sua diretora Julie Taymor ser a 1ª mulher a receber o prêmio de melhor direção, o que abriu caminhos e mostrou como o Tony e seu júri acompanham e refletem as mudanças sociais.

 Enquanto isso, os indicados de 2020 viverão uma experiência inédita nesses 47 anos: misturados a ansiedade, ao nervosismo e a apreensão, estará o anseio pelo fim de uma crise que já os mantém afastados dos palcos desde março e assim, quando for seguro, possam retornar cumprindo a velha máxima que o show deve e vai continuar.

Imagem: Divulgação

* Pedro Ribeiro é estudante e possui curso de teatro musical com o diretor Charles Moeller.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: