Retomada do teatro em tempos de Covid-19

Por Pedro Ribeiro / Colunista

O início de um novo ano sempre é carregado de muitas promessas. E 2020 não parecia ser diferente. De Donna Summer a Clarice Lispector, a cena teatral prometia mais uma temporada de grandes espetáculos. Mas, no mês de março, o rumo dessa história sofreu uma alteração.

Obedecendo a decretos intermunicipais, os espaços culturais, como teatros, cinemas e museus, se viram obrigados a fechar devido a pandemia do Covid-19 que tornava impossível com que grandes grupos se reunissem em uma sala de espetáculos e isso fez com que os artistas perdessem uma das coisas mais valiosas em seu trabalho que é a troca com o público.

Apesar disso, com todo o seu poder de resiliência, o teatro encontrou formas de se manter vivo. Desde espetáculos ao vivo em plataformas online a shows musicais sem público, a relação palco-plateia seguiu, mais uma vez, viva.

A pandemia trouxe situações que até mesmo os mais experientes frequentadores teatrais não imaginariam presenciar. Como ainda não há uma data específica para o retorno dos teatros, os encontros passaram a ser online. Desde o último mês de julho, personagens do autor britânico William Shakespeare vem se encarando no experiencia virtual “Parece Loucura, Mas Há Método” em cartaz na plataforma Zoom. Como o desenrolar da trama aqui depende exclusivamente do voto da plateia, cada sessão se torna única podendo o vencedor de um dia ser eliminado ainda no começo da sessão seguinte.

Da mesma forma, o Teatro Petra Gold também encontrou no Zoom uma forma de fazer com o teatro se mantivesse de pé. Em um projeto que foi batizado de “Teatro Já”, o teatro voltou a receber shows e monólogos de personalidades como Paulo Betti e Ana Beatriz Nogueira, idealizadora do projeto. As apresentações são feitas com apenas um espectador presencial e os ingressos são vendidos a RS 10, em uma maneira de democratizar o acesso de pessoas que, em uma situação comum, não conseguiriam ser contempladas com tal experiência. 

Também se percebe o estrondoso retorno dos drive-ins que já foram moda em tempos passados e com a necessidade de distanciamento social ressurgiram com toda a força funcionando em toda a capital e em outros estados. O público de dentro do conforto de seus carros se reconecta com o universo das artes assistindo a clássicos do cinema, shows e apresentações teatrais podendo assim ter um momento de respiro em meio a toda a confusão que a pandemia proporcionou. Até mesmo filmes que não conseguiram estrear no circuito estão sendo programados para esse tipo de exibição mostrando o quão relevante pode ser essa junção de passado e presente em prol do entretenimento.

Com a chegada do mês de setembro começam as movimentações para um possível retorno que ainda é discutido para que seja ao mesmo tempo seguro para equipe, palco e plateia, mas economicamente viável para as produções. Enquanto isso, as artes se adaptam a essas novas maneiras de se conectarem com o público e serem um alento durante tempos difíceis como o que passamos.

Imagem: Theatro Municipal do Rio de Janeiro

* Pedro Ribeiro é estudante do ensino médio e possui curso de teatro musical com o diretor Charles Moeller.

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